terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Missão Integral e Espiritualidade Transformadora num Mundo Pós-moderno

by Toni Melo

Pensar numa espiritualidade transformadora que não tenha o seu fim em si mesma, mas que viva um relacionamento de serviço a Deus e ao outro é também refletir sobre o exercício e a prática da missão integral. Isso, no nosso caso, se dá em meio à pós-modernidade e a todos os seus efeitos sobre a espiritualidade cristã.

É importante lembrarmos que a espiritualidade se dá no contexto da missão. Enquanto exercemos a missão somos impulsionados a nos relacionarmos com Deus e com o outro; esse movimento de serviço e amor torna a nossa espiritualidade um processo dinâmico que tem o seu impulso inicial em Deus. Assim, esse processo, terá por objetivo a transformação das nossas vidas, das que nos cercam, e a realização do próprio Deus na restauração da sua criação. Já, a espiritualidade pós-moderna tem como principal objetivo a satisfação pessoal, e se utiliza do sagrado para suprir de maneira individualista suas necessidades.

Não se pode pensar em espiritualidade sem pensar em transformação, conversão e serviço. A transformação da vida, a conversão do coração e o serviço ao outro. É característico de alguém que possui um genuíno relacionamento com Deus: a) novidade de vida, refletida na sua forma de viver os valores do Reino de Deus (2 Co 5.17); b) conversão do seu coração, que agora coloca todas as suas emoções sob o controle do Espírito de Deus (Fl 4. 4-9); e c) a sua vida de serviço e altruísmo ao próximo (Jo 13.1-17), refletindo de maneira concreta e real o caráter de Cristo.

É muito comum hoje, em meio ao pluralismo religioso que a pós-modernidade traz, vermos formas de espiritualidade baseadas nos estereótipos religiosos norte-americanos; nos monges da idade média; nos liberais que relativizam toda e qualquer prática normativa; nos “novos” adoradores ou adoradores extravagantes. Enfim, existe atualmente uma variedade de tipos de espiritualidade. Mas o que realmente falta hoje é uma sintonia dessas formas de espiritualidade com uma teologia bíblica e relevante para os nossos dias.

Uma espiritualidade baseada em estereótipos americanos ou europeus não cumpre muito o seu papel num povo possuidor de grandes problemas econômicos e sociais, além de alienar e adoecer a espiritualidade brasileira. Uma espiritualidade monástica que se isola numa solitude artificial e divorciada do caos urbano e relacional não oferece algo muito além de um gostoso descanso nas montanhas e de uma momentânea sensação de contemplação e comunhão com o sagrado. Uma espiritualidade liberal que não vê limites para suas relativizações e subjetivações das verdades bíblicas também não oferecerá muito, além de um bom desencargo de consciência, enquanto continua-se vivendo num relacionamento raso e pouco significativo com Deus. Uma espiritualidade dita “extravagante”, mas que não tem o mínimo interesse em extravasar no serviço à sociedade e na prática da justiça, por se achar pura demais para se envolver com o mundo, também não tem muito a oferecer além de algumas experiências de êxtase e a pouco duradoura impressão de se estar próximo de Deus.

Não tenho aqui a intenção de simplesmente desconstruir tudo o que é feito ou acredita-se que é feito como espiritualidade. No entanto, julgo ser necessária uma mudança de mentalidade no que diz respeito ao real sentido da espiritualidade cristã. Não acredito numa espiritualidade divorciada do cotidiano da vida humana, que se isola em um gueto para poder ter sentido. Não acredito numa espiritualidade isolada da solidariedade, que celebra apenas crescimentos individuais.


http://crendoepensando.blogspot.com

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

ORANDO NO ESPELHO

Por: Rubem Amorese
http://www.amorese.com.br/


Precisamos orar pelo país. Temos esquecido de incluir o Brasil em nossos programas de oração. Deixamos nosso povo e nossos governantes sem cobertura.

Dá no que dá. Deus fez sua parte. Somos um país “abençoado por Deus”, com imensas riquezas naturais, terras férteis, clima ameno etc. Falta orar por nosso povo e por nossos governantes.

Penso logo numa lista de pedidos.

Gostaria de poder comprar jornal numa caixa na calçada, onde coloco o dinheiro e pego o jornal, sem necessidade de vigias. Gostaria de poder tirar uma simples cópia, sem ter que pedir ao encarregado da chave do armário do papel da copiadora.

Gostaria de não ter que trancar na gaveta, todo fim de expediente, meus papéis, réguas e canetas. Sem tranca, tudo desaparece, da noite para o dia.

Gostaria de ver os gramados de Brasília sem aquelas milhares de trilhas na grama. O povo não usa as calçadas que não coincidam com a linha reta que pretendem traçar ao seu destino.

Gostaria que meus vizinhos usassem a sua água para lavar o carro, e não fizessem “gatos” na água do condomínio. O mesmo para a luz, a tevê a cabo e até para linhas telefônicas.

Gostaria que as pessoas fossem pontuais. Que simplesmente chegassem na hora marcada. A gente perderia menos tempo na vida, esperando por gente que acha que tem o direito de nos fazer esperar (se reclamamos, dizem: “relaxa!”).

Gostaria que todos os motoristas que encontro nas ruas tivessem carteiras legítimas e soubessem as regras de trânsito. Que a compra de carteiras, certidões, diplomas, atestados e tudo o mais não fosse “normal”.

Gostaria que alguém se escandalizasse quando um político entra de licença médica, como recurso “de praxe” para se afastar. Que alguém pedisse uma junta médica para verificar se ele realmente está doente.

Gostaria que meu presidente soubesse alguma coisa do que se passa fora do seu gabinete; no país que diz governar, por exemplo. Mas ele repete que não sabia. Gostaria que Roberto Jefferson e Fernando Collor não mais se apresentassem como “garotos-propaganda” de um partido, como se fossem referências nacionais.

Gostaria que Marta Suplicy deixasse de pensar só “naquilo”. Em especial, quando se fala de crise na aviação. “Relaxar e gozar” durante um estupro, na boca de uma ministra de estado só pode ser o fundo do poço moral de uma nação. Se ela não puder mais ser mudada (nem com oração), que seja retirada do cargo.

Quanta matéria de oração, para melhorar nosso país! Imagino que lhe ocorram muitas outras, leitor.
Será que Deus consegue?

Bem, a resposta encontraremos no espelho. Ao pensar nesses “pedidos de oração”, vale perguntar: é por essa imagem no espelho que estou orando? Não seria o caso de usar, então, “nós”, como fez Neemias?

Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo. Ne 1:6,7

Devemos orar pelo Brasil, sem dúvida. Deus, na sua misericórdia, responderá se, com temor, suplicarmos por esse rosto que vemos no espelho.